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Procrastinação: Oportunidades à Saúde Mental

Conhecida de muitos anos, minha amiga procrastinação volta e meia me visita, buscando hospedagem permanente.

Refestelada em meu quarto, entre bugigangas mis acumuladas ao léu dos momentos de preguiça depressiva, ou em meu escritório, refletida nos os papeis desarranjados e livros ignorados, cujo conteúdo não me lembro, a hóspede-carrapato resiste em partir. Por anos, aceitei sua companhia sedutora e a de seus familiares: preguiça, desorganização, e baixa-estima, frutos da arvore do medo. Reconheço que expulsá-la do meu ambiente é tarefa contínua, exigindo vigilância e autodeterminação.

Eliminar ou reduzir estados depressivos condizentes à procrastinação estimula a saúde mental. E, para idosos como eu, o alívio de vê-la sair, gradualmente…

É um antidoto contra a deficiência cognitiva leve. O processo é por vezes brutal. Primeiro, devo reconhecer minha responsabilidade por deixá-la entrar em minha casa, e aceitar as perdas, dando-lhe guarida.

Embora trafegando no presente, permaneci no passado, falso Nirvana do que poderia ter sido, temendo os desafios do presente. Revivi naqueles objetos engavetados as aspirações de planos não realizados. Trastes, papéis, correspondência, livros e roupas usadas ocupam espaço em armários e estantes. Receios, baixa estima e estados depressivos, por outro lado, se enraízam na mente. Preciso que saiam para que entre a luz.

Meditação e visualização, elementos de mindfulness, e orações me ajudam a libertar-me de culpas pela bagunça reinante. Reconheci muitas vezes ter adiado as despedidas. Sem pressa, ou no afã de terminar o trabalho em rompantes, permiti-me dividir as tarefas em partes. Primeiro, desocupando a mesa de cabeceira, sede de meu altar. Nos dias seguintes, outras gavetas, dando-me tempo de agradecer a cada item desfeito as memorias, boas e más.

Combati a tentação de ceder ao apego, temendo o adeus. Apoio de outros amigos aposentados, entre os quais procrastinadores, foi essencial. Todos admitimos haver tido problemas de concentração, esquecimentos e procrastinação, mesmo durante os anos na ativa. Uns, compartilhando pela primeira vez historias de depressão e baixa autoestima, recordaram colegas cujo suicídio causou surpresa, pois eram considerados “clinically clear” (clinicamente esclarecidos). Fizemos um grupo de ajuda mútua contra a procrastinação.

Organizações de fins não lucrativos ou entidades religiosas distribuem os descartáveis à terceiros, para reuso. Esperamos reduzir, ou eliminar a procrastinação, diminuindo nossos pertences em seis meses.

Felicidades àqueles trilhando a mesma rota. Feliz 2022.

Autor

George Woyames, MSc (MSSW)
George Woyames, MSc (MSSW)
George Woyames é Jornalista, Educador e Assistente Social, com 51 anos de experiência em clínicas e hospitais. Graduado em Educação, pelo Boston State College, Massachusetts; Mestre em Estudos Ibero-americanos, pela New York University, NY, e em Serviço Social, pela na Universidade do Texas, em Arlington, E.U.A.

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