ArtigosDepressão: Quando o seu inimigo é você

Depressão: Quando o seu inimigo é você

Por José Carlos de Sousa *

O cérebro humano é a mais fantástica “engrenagem” desse veículo físico que usamos na grande aventura chamada vida. Ele manifesta essa outra dimensão surpreendente que conhecemos como mente. A função básica desse mecanismo é, como a de todo organismo, preservar a vida e garantir o bem-estar individual.

Entre uma e outra função, a evolução sofisticou o sistema, tornando-o cada vez mais sistêmico e complexo, mais determinante dos rumos que cada um imprime ao seu existir e das formas como vivenciará essa experiência.

Usamos nosso cérebro e nossa mente em benefício de nós mesmos e de nossas conquistas. Esforçamo-nos para aprender a fazer isso. Milhares de livros de autoajuda foram e continuam sendo escritos, tentando ensinar-nos como utilizar essa ferramenta.

Nem sempre a educação formal e a familiar nos habilitam para isso. Carentes dessa capacitação, quando vivenciamos experiências negativas e dolorosas, traumas, desenganos, frustrações e tantas outras possibilidades de dor emocional, costumamos reverter a função básica do binômio cérebro-mente e transformá-lo numa fábrica de sofrimentos.

É quando você instala dentro de si o seu próprio inimigo.

Da Filosofia às religiões, de Buda a Nietzsche, passando pelas diferentes abordagens da Psicologia, o ensinamento é claro: o pior inimigo está dentro de você mesmo e ninguém pode lhe causar mais dano do que seus próprios pensamentos.

Você é seu inimigo quando não se ama.

Você é seu inimigo quando não se cuida.

Você é seu inimigo quando não respeita seus limites e exige de si mais do que pode dar.

É preciso se cuidar, se conhecer, se respeitar.

Não sugiro aniquilar o inimigo interno. Ao contrário, sugiro que você olhe para ele e o conheça bem. Na verdade, ele mostra o que precisa ser mudado em você, para uma vida mais proveitosa. Ele é a placa indicativa a mudança de rota a ser feita.

Trabalhe-se. Aceite-se. Reveja a forma como recebe as mensagens dos demais. Não queira agradar a todos.

Sobretudo, permita-se ser humano, compreendendo que é com os erros que se aprende. Errar é um aprendizado, não é uma vergonha.

Considere o ensinamento do antigo provérbio africano: quando não temos inimigos internos, os inimigos externos não podem nos fazer mal.

* José Carlos de Sousa é psicólogo, especialista em Psicologia Clínica, Terapia EMDR, Terapia Cognitivo-comportamental, Gestalt-Terapia, Psicossomática, Hipnose Clínica, TFT, EFT e em Transtornos Alimentares. É colunista e membro do Conselho Editorial da TV PSI.

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