ArtigosCinco dicas de mindfulness para o autocuidado

Cinco dicas de mindfulness para o autocuidado

Comece o ano renovando os votos de cuidar mais e melhor de si.

As festas terminaram e muitas atividades vão-se reiniciando e assim abrindo os nossos horizontes aos compromissos que temos de honrar para com a vida cotidiana. Não raro, damo-nos conta de muitos afazeres e obrigações. Vem com isso a sensação de que perdemos um pouco o controle da situação em que estamos inseridos, ou de que nos desconectamos de vários segmentos de nossa vida.

Para nos religarmos, parece ser importante termos alguns propósitos em prol de cuidar melhor de nós mesmos. A partir deste princípio de cuidarmos de nós mesmos, poderemos ampliar a visão e estender nossas capacidades de gerir a nossa vida e contribuir para o bem-estar daqueles que estão, direta ou indiretamente, vinculados a nós.

Pode ser que os primeiros passos sejam mais difíceis; pode ser que a nossa mente esteja um tanto confusa, ou que os pensamentos estejam tumultuados e os nossos sentimentos pareçam de inadequação e mal-estar. Que tal aprender a separar um pouquinho o que são pensamentos do que são sentimentos? Este exercício pode ser bem interessante, para darmos início ao cultivo do bem-estar e criarmos um ambiente propício ao autocuidado.

Os pensamentos acontecem ininterruptamente. Quando estamos mais agitados, eles ainda podem ficar com um teor negativo e muito repetitivo… e parecem perseverar em nossas mentes, ditando quem somos e diminuindo ou fazendo ruir nossa faculdade de agir, embotando a nossa capacidade de criar e vislumbrar saídas para as nossas situações, as quais parecem ganhar vida por si só.

E se começarmos por entender que nossos pensamentos são apenas eventos mentais? Se compreendermos que eles podem representar o nosso momento, a nossa imagem, em determinada circunstância, mas que, de fato, somos muito mais que nossos pensamentos? Muito mais… Somos nós que criamos os nossos pensamentos. Estranho, não é? Pensando assim, eles parecem ficar menores, perdendo força nas crenças que muitas vezes nos limitam ou nos escravizam.

Pode ser que alguns pensamentos nos coloquem também bem maiores do que realmente somos.

O que estamos abordando aqui é a percepção da dimensão de nosso ser e não a grandeza de uma personalidade que manipula a realidade, evitando lidar com a concretude de nossa existência.

Os sentimentos são eventos internos que apontam para um lugar onde sentimos prazer, ou não, em sermos quem somos. Desde conforto e deleite, com sentimento de bem-estar; até aflição e desesperança, com sentimento de mal-estar. Há também uma hipótese de sentimos neutralidade no estado em que nos encontramos. Isto também passa pelo sentimento. Mesmo assim, há como perceber se a neutralidade nos faz sentir bem ou não.

Podemos observar, ainda, que em algumas situações desconsideramos nossos sentimentos e eles pareçam correr em fluxo longínquo… Podemos vivenciar um sentimento de indiferença, ou experimentarmos a impressão de que algo não nos incomoda, negando o verdadeiro incômodo que nos causa. Muitas vezes, passamos a manipular os nossos sentimentos e desenvolvemos um hábito de postergar o contato com aquele conteúdo interno. Seguimos negligenciando algo que não nos é totalmente conhecido ou não é totalmente desconhecido. O pleonasmo aqui serve para representar a tendência de colocarmos sentimentos em locais dentro de nós mesmos… às escondidas. Parece preferirmos acreditar que não estão ali, ou que nunca estiveram, até que se avolumem, cresçam e nos assombrem. Até que interfiram em nossas relações conosco e com os demais. 

Então, tendo pensado em tudo isso, achei que poderia deixar aqui para você, leitor, algumas dicas de como criar um ambiente de mais presença e autoaceitação. Meios de cultivar bem-estar e habilidade saudável para despertar no dia a dia.

A prática de atitudes de autocuidado, aliada aos preceitos do mindfulness, tem sido muito utilizada para construir uma nova realidade e promover um novo compromisso para com a saúde em nós mesmos.

5 Dicas:

1. Desperte com atenção e cuidado com você

Ao despertar pela manhã, antes de abrir os olhos, procure fazer uma respiração consciente e em seguida leve a atenção para o seu corpo. Observe, parte por parte: pés, panturrilhas, joelhos, coxas e assim por diante. Faça  gradualmente alguns movimentos, até sentir-se pronto ou pronta para levantar-se da cama.  Imprima um ritmo suave ao começar o seu dia.

2. Foque nas atividades

Escolha manusear objetos de sua higiene pessoal pela manhã, fazendo uso da mão não dominante (escove assim os dentes ou os cabelos). Essa ação fará com que você tenha mais atenção e consciência, devido à dificuldade que essa tarefa requer. Se necessário, faça isso inicialmente e depois complete a tarefa escolhida com mão dominante. O fundamental é manter a atenção.

3. Observe o seu meio

Desarme seu piloto automático e, ao estar na presença de pessoas, lembre-se de que cada uma delas se encontra em um estado diferente de espírito e humor. Estar sensível ao que acontece a sua volta é um atributo da sua inteligência emocional. Contextos mudam, e você deve percebê-los para se adequar a eles.

4. Exercite a respiração consciente ou note um som conscientemente.

Inspire e note o ar tocar as suas narinas. Sinta uma leve expansão da região torácica, ao perceber que o ar toca o seu abdômen, e em seguida expire. Você pode fechar os olhos, se for confortável. Ah! é normal a mente se distrair. De maneira amável, traga a atenção de volta à prática, sem julgamento ou culpa. Repita esta prática por algumas vezes e depois abra os olhos e siga o seu dia. Caso não seja possível a prática da respiração, troque-a por despertar a consciência dos sons. Pare e procure captar todos os sons que porventura estejam ocorrendo no ambiente onde você se encontra. Apenas isso. Depois, perceba se algum deles chamou sua atenção e observe se a sensação de ouvir determinado som foi agradável, desagradável ou neutra.

5. Explore as sensações

Sente-se em uma cadeira, feche os olhos e observe sua postura. Sinta as pernas tocando na cadeira; note como os pés estão apoiados no chão e sinta como é a textura das suas roupas na pele. Agora preste atenção nos outros sentidos: o cheiro que você sente, o gosto da sua boca, se está com calor ou frio. Perceba suas sensações.

Lembre-se de que não há maneira certa ou errada de fazer; o que importa é ter consciência da própria consciência. Estas práticas levam a menos o julgamento e mais aceitação.

São atitudes e hábitos simples, mas que nos ajudam a desenvolver o sentido de presença, fazendo-nos mais e mais conscientes, no amanhecer de cada dia deste novo ano que começa.

Autor

Paula Portocarrero
Paula Portocarrero
Presidente da TV PSI Também presidente do Instituto Psiconsciência. Inscrita na Ordem do Psicólogos Portugueses (32734) e no Conselho Regional de Psicologia (4799/1) Brasil. Mestre em Psicologia Social, Neuropsicóloga – pesquisa os efeitos da meditação mindfulness na consciência. Certificada pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional - IFP sob o n.º F697250/2020. Especializada em Psicologia Junguiana, Ontopsicologia e Psicologia Budista Tibetana, com mais 30 anos de experiência clínica, em 22 dos quais inclui a meditação na praxis terapêutica.

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