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Será que o estado entre a vigília e o sono realmente estimula a criatividade?

Para responder a esta questão, recente estudo foi realizado por pesquisadores franceses e publicado na edição deste mês de dezembro da revista científica americana Science Advances, sob o título “Sleep onset is a creative sweet spot”.

Leia a seguir, na íntegra, a tradução de um artigo divulgado pelo Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica da França (Inserm), com interessantes comentários a respeito do assunto e com os principais resultados do referido estudo.

E se alguns minutos de sono pudessem funcionar como um gatilho para a criatividade? É o que sugere um estudo realizado por pesquisadores do Inserm, do Instituto do Cérebro da Sorbonne e do Departamento de Patologias do Sono do Hospital Pitié-Salpêtrière AP-HP.

Uma lenda sobre o inventor Thomas Edison diz que ele cochilava para despertar sua criatividade. Durante um destes cochilos, ele segurou uma bola de metal em sua mão. A bola caiu ruidosamente quando ele adormeceu e o acordou a tempo de notar seus lampejos de criatividade. Outras pessoas famosas também foram favoráveis ​​ao uso de fases curtas do sono para estimular sua capacidade criativa, como Albert Einstein ou Salvador Dali.

Inspirados por isso, a equipe da pesquisadora do Inserm Delphine Oudiette e sua colaboradora, Célia Lacaux, do Instituto do Cérebro e do hospital Pitié-Salpêtrière AP-HP, quiseram explorar essa fase muito particular do adormecimento. As cientistas queriam determinar se isso realmente afetou a criatividade.

Para fazer isso, a equipe propôs problemas de matemática a 103 participantes, os quais poderiam ser resolvidos quase instantaneamente usando a mesma regra, obviamente desconhecida dos participantes no início do teste. Os sujeitos tentaram resolver os problemas pela primeira vez. Todos aqueles que não encontraram a regra oculta foram convidados a tirar uma soneca de cerca de vinte minutos nas mesmas condições que Edison, com um objeto em suas mãos, antes de fazer as provas de matemática novamente.

Passar pelo menos 15 segundos nessa primeira fase do sono após adormecer triplicou as chances de encontrar essa regra oculta, pelo efeito do famoso Eureka!  ‘Esse efeito desaparecia se os sujeitos mergulhassem no sono‘ , explica Célia Lacaux, primeira autora do estudo.

Os pesquisadores, em paralelo, destacaram vários marcadores neurofisiológicos importantes dessa fase do adormecimento, que gera criatividade.

Haveria, portanto, uma fase propícia à criatividade ao adormecer. Ativá-lo requer encontrar o equilíbrio certo entre adormecer rapidamente e não adormecer muito profundamente. Esses ‘cochilos criativos’ podem ser uma forma fácil e acessível de estimular nossa criatividade no dia a dia.

A fase do sono tem sido relativamente negligenciada pela neurociência cognitiva. Esta descoberta abre um novo campo extraordinário para estudos futuros, em particular dos mecanismos cerebrais de criatividade. O sono também é frequentemente visto como perda de tempo e produtividade. Ao mostrar que ele é realmente essencial para nossas performances criativas, esperamos reiterar sua importância para o público.‘Conclui Delphine Oudiette, pesquisadora do Inserm e última autora do estudo.”

FONTE: Inserm – Sala de Imprensa, 10/12/2021

Texto original: https://presse.inserm.fr/lendormissement-un-booster-de-creativite/44372/

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Redação TVPsi
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