ArtigosCID 11: O que muda a partir deste ano com a nova...

CID 11: O que muda a partir deste ano com a nova classificação dos problemas físicos e mentais?

A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, ou, simplesmente, CID Classificação Internacional de Doenças, mudou. Elaborado pela OMS Organização Mundial da Saúde, o documento serve para classificar e padronizar a totalidade dos problemas de saúde e se presta ao monitoramento da incidência e da prevalência das enfermidades. A importância da CID está principalmente na padronização universal das doenças, identificando seus sinais, sintomas, queixas e causas. A normatização permite uniformizar a atuação dos profissionais da área no mundo todo. A CID 11 foi lançada em 2019 pela OMS, passou por revisões até chegar à sua forma definitiva e entrou em vigor em 1º de janeiro de 2022.

A versão anterior da CID datava do ano 1990 e já reclamava atualizações que refletissem o desenvolvimento da medicina e os avanços da tecnologia. A versão atual traz mudanças que interessam particularmente ao mundo PSI. Dentre elas, destacamos:

– A inclusão de categoria nova, o Gaming Disorder, Distúrbio em Jogos Eletrônicos, em tradução livre. (Até o momento em que redigimos esta nota, o documento está disponível somente em inglês). O distúrbio resultaria de um padrão comportamental “persistente e recorrente”, capaz de afetar o funcionamento pessoal e social do indivíduo;

– A exclusão da Transexualidade da lista de doenças mentais e sua reclassificação como uma “incongruência de gênero”, no lugar do anterior “distúrbio de identidade de gênero”. A confirmação de que a situação não reflete um distúrbio mental corrige o efeito estigmatizante provocado pela classificação anterior sobre os que se identificam como transgêneros;

– A unificação diagnóstica dos transtornos do espectro do autismo (como autismo infantil, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância) unicamente em TEA Transtorno do Espectro do Autismo;

– A adoção da designação Síndrome de Burnout para a condição anterior conhecida como síndrome do esgotamento profissional e seu reconhecimento como doença ocupacional.

A CID 11 e o DSM 5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) são importantes ferramentas de apoio ao trabalho desenvolvido na clínica psicoterápica, por facilitarem a elaboração diagnóstica imprescindível à conceitualização dos casos trazidos ao set terapêutico. Resultados adequados em psicoterapia estão relacionados ao conhecimento e consideração das informações desses dois compêndios.

É bom ressaltar as diferenças entre as duas publicações: enquanto o CID trata da definição de doenças e transtornos da área da saúde como um todo, o DSM é voltado mais especificamente para os transtornos mentais. Ambas são referências fundamentais para os profissionais de saúde do mundo inteiro.

Tendo em vista a elevada incidência de adoecimento mental decorrente da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2, em que a Síndrome de Burnout assume papel prevalente, vamos falar um pouco mais desta condição mórbida em nosso próximo post.

Autor

José Carlos de Sousa
Psicólogo Especialista em Psicologia Clínica • Especialista em Terapia EMDR, Terapia Cognitivo-comportamental, Gestalt-Terapia, Psicossomática, Hipnose Clínica, TFT, EFT e em Transtornos Alimentares. • Coautor do livro “Conquistas na Psicoterapia: Estudos de Caso com EMDR”. • Organizador e professor de cursos sobre “Depressão”, “Crenças Limitantes”, “EFT”, “Ansiedade” e “Suicídio”. • Palestrante com foco na temática dos distúrbios emocionais e sua superação.

Leia mais

- Publicidade -

Últimas Notícias

Veja Também

- Publicidade -