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	<title>José Carlos de Sousa, Autor em Portal TV PSI</title>
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	<title>José Carlos de Sousa, Autor em Portal TV PSI</title>
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		<title>Síndrome de Burnout</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos de Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Mar 2022 10:49:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Antes pouco conhecida pela população em geral, a Síndrome de Burnout ganhou destaque nas páginas especializadas das publicações a respeito de saúde, após a eclosão da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2. A pandemia provocou uma desadaptação em boa parcela das pessoas envolvidas em atividades profissionalmente ativas, por transferi-las do ambiente de trabalho a que estavam adaptadas [&#8230;]</p>
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<p>Antes pouco conhecida pela população em geral, a Síndrome de <em>Burnout</em> ganhou destaque nas páginas especializadas das publicações a respeito de saúde, após a eclosão da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2. A pandemia provocou uma desadaptação em boa parcela das pessoas envolvidas em atividades profissionalmente ativas, por transferi-las do ambiente de trabalho a que estavam adaptadas para o ambiente das suas próprias casas. Uma reclusão forçada que alterou as características da forma de execução das atividades, do tempo dedicado às ocupações laborais e do trabalho em si.</p>



<p>Uma síndrome, como se sabe é um conjunto de sintomas ou sinais inter-relacionados que indicam uma condição mórbida, uma doença. As condições ambientais a que nos referimos agravaram o que já se conhecia como uma síndrome do esgotamento profissional ou simplesmente <em>burnout</em> e, a nosso ver, ampliaram o espectro de significado da doença, por agregar à condição mórbida outros aspectos além da atividade profissional em si. Em casa, o trabalho passou a dividir espaço com as tarefas domésticas, o atendimento de necessidades familiares, como o acompanhamento das atividades de filhos menores em suas aulas on-line e o cuidado com comportamentos específicos para impedir que o vírus invadisse suas casas.</p>



<p>Agora, a nova versão da CID, a CID 11, em vigor deste 1º de janeiro de 2022, reclassificou a Síndrome de Burnout, considerando-a como uma doença <em>ocupacional</em> e colocando-a na seção de “problemas relacionados com o emprego ou o desemprego”, e atribui-lhe um código novo, o QD85.</p>



<p>O documento − conforme esclarece o artigo de Mônica Tarantino publicado pela <em>Medscape</em>, em 28.01.22 − a define <em>burnout</em> como uma “síndrome concebida como resultante do estresse crônico no contexto laboral que não foi efetivamente administrado. Caracteriza-se por três dimensões:</p>



<p>1) sensação de exaustão ou esgotamento de energia;</p>



<p>2) maior distanciamento mental da atividade laboral e negativismo ou cinismo em relação ao trabalho;</p>



<p>3) Sensação de ineficácia e falta de realização.”</p>



<p>O psicólogo deve estar preparado para reconhecer as especificidades da Síndrome, já que, para além dos sintomas físicos que ela motiva ou agrava − especialmente questões cardiovasculares, circulatórias, reumáticas, alérgicas e glicêmicas −, situam-se condições emocionais importantes. Constitui a clássica situação em que uma síndrome leva a um transtorno. No caso, ela conecta-se a aspectos graves de transtornos de ansiedade ou de transtorno depressivo. As situações depressivas derivadas do <em>burnout</em>, se não tratadas adequadamente, podem levar ao suicídio.</p>



<p>O diagnóstico adequado é fundamental para o tratamento. Para estabelecê-lo o terapeuta precisa, como preconiza a Dra. Alexandrina Meleiro, psiquiatra e vice-coordenadora da Comissão de Atenção à Saúde Mental do Médico da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP),</p>



<p>“identificar o nexo causal: o trabalho é a causa (grau 1), o trabalho contribui para a doença (2) ou o trabalho é o provocador de uma doença já existente (grau 3)?”. Ademais, devem ser conhecidos e relevados aspectos como violência no trabalho, assédio moral e discriminação.</p>



<p>Interessante notar que a CID indica que o termo <em>burnout</em> “não deve ser usado para descrever experiências em outras áreas da vida”, devendo restringir-se especificamente a fenômenos do <em>contexto ocupacional</em>. Ora, <em>contexto ocupacional</em> não mais é do que aquele em que se desenvolve uma <em>ocupação</em>, e essa, segundo a significação dada pelos dicionários, é o ato trabalhar em algo ou o trabalho em si, executado ou a executar. Tendo isto, pergunta-se: não é apropriado que os psicoterapeutas, no exercício da atividade comum, ampliem sua consideração dos efeitos do <em>burnout</em> em pessoas que desempenhem tarefas que não especificamente o trabalho burocrático? Não são suscetíveis a aspectos da síndrome a dona de casa e o estudante, por exemplo?</p>



<p>Ainda que o adoecimento mental não correlacionável à seção de “problemas relacionados com o emprego ou o desemprego” iniba o diagnóstico de <em>burnout</em>, pessoas existem cuja sintomatologia se enquadra perfeitamente à descrição da síndrome. O bom trabalho terapêutico indica e permite valer-se de uma “carona” nos aspectos do <em>burnout</em> para uma adequada conceitualização do caso a ser tratado.</p>
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		<title>CID 11: O que muda a partir deste ano com a nova classificação dos problemas físicos e mentais?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos de Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Feb 2022 22:50:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, ou, simplesmente, CID Classificação Internacional de Doenças, mudou. Elaborado pela OMS Organização Mundial da Saúde, o documento serve para classificar e padronizar a totalidade dos problemas de saúde e se presta ao monitoramento da incidência e da prevalência das enfermidades. A importância da CID [&#8230;]</p>
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<p>A <em>Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde</em>, ou, simplesmente, CID Classificação Internacional de Doenças, mudou. Elaborado pela OMS Organização Mundial da Saúde, o documento serve para classificar e padronizar a totalidade dos problemas de saúde e se presta ao monitoramento da incidência e da prevalência das enfermidades. A importância da CID está principalmente na padronização universal das doenças, identificando seus sinais, sintomas, queixas e causas. A normatização permite uniformizar a atuação dos profissionais da área no mundo todo. A CID 11 foi lançada em 2019 pela OMS, passou por revisões até chegar à sua forma definitiva e entrou em vigor em 1º de janeiro de 2022.</p>



<p>A versão anterior da CID datava do ano 1990 e já reclamava atualizações que refletissem o desenvolvimento da medicina e os avanços da tecnologia. A versão atual traz mudanças que interessam particularmente ao mundo PSI. Dentre elas, destacamos:</p>



<p>&#8211; A inclusão de categoria nova, o <em>Gaming Disorder</em>, Distúrbio em Jogos Eletrônicos, em tradução livre. (Até o momento em que redigimos esta nota, o documento está disponível somente em inglês). O distúrbio resultaria de um padrão comportamental “persistente e recorrente”, capaz de afetar o funcionamento pessoal e social do indivíduo;</p>



<p>&#8211; A exclusão da <em>Transexualidade</em> da lista de doenças mentais e sua reclassificação como uma “incongruência de gênero”, no lugar do anterior “distúrbio de identidade de gênero”. A confirmação de que a situação não reflete um distúrbio mental corrige o efeito estigmatizante provocado pela classificação anterior sobre os que se identificam como transgêneros;</p>



<p>&#8211; A unificação diagnóstica dos transtornos do espectro do autismo (como autismo infantil, Síndrome de Asperger, Síndrome de Rett, Transtorno Desintegrativo da Infância) unicamente em <em>TEA Transtorno do Espectro do Autismo</em>;</p>



<p>&#8211; A adoção da designação <em>Síndrome de Burnout</em> para a condição anterior conhecida como síndrome do esgotamento profissional e seu reconhecimento como <em>doença ocupacional</em>.</p>



<p>A CID 11 e o DSM 5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) são importantes ferramentas de apoio ao trabalho desenvolvido na clínica psicoterápica, por facilitarem a elaboração diagnóstica imprescindível à conceitualização dos casos trazidos ao set terapêutico. Resultados adequados em psicoterapia estão relacionados ao conhecimento e consideração das informações desses dois compêndios.</p>



<p>É bom ressaltar as diferenças entre as duas publicações: enquanto o CID trata da definição de doenças e transtornos da área da saúde como um todo, o DSM é voltado mais especificamente para os transtornos mentais. Ambas são referências fundamentais para os profissionais de saúde do mundo inteiro.</p>



<p>Tendo em vista a elevada incidência de adoecimento mental decorrente da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2, em que a <em>Síndrome de Burnout </em>assume papel prevalente, vamos falar um pouco mais desta condição mórbida em nosso próximo <em>post</em>.</p>
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		<title>Depressão: o que eu sinto?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos de Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jan 2022 21:15:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Um executivo de 43 anos chegou ao consultório reclamando de cansaço constante, falta de vontade fazer as coisas e uma tristeza que muitas vezes o fazia chorar. Além disso, registrou: “Num momento até fico tranquilo, mas em seguida fico angustiado. Tenho dormido muito mal. Está tudo sem graça. Parece que apagaram as luzes e ficou [&#8230;]</p>
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<p>Um executivo de 43 anos chegou ao consultório reclamando de cansaço constante, falta de vontade fazer as coisas e uma tristeza que muitas vezes o fazia chorar. Além disso, registrou: “Num momento até fico tranquilo, mas em seguida fico angustiado. Tenho dormido muito mal. Está tudo sem graça. Parece que apagaram as luzes e ficou tudo escuro. Não tem jeito. Eu nunca mais vou melhorar”. Ele estava fortemente deprimido e não sabia. Seus sintomas haviam aparecido há cerca de três meses, logo após ser destituído de um cargo de chefia no seu trabalho.</p>



<p>Para muitos, estar deprimido é sentir-se apático, triste ou cansado. Mas a depressão é bem mais do que isso, e não é uma tarefa fácil diagnosticá-la. Ela tanto pode apresentar-se com sinais claros e definidos como disfarçada em sintomas de baixa intensidade e de frequência irregular.</p>



<p>A depressão leva a um sofrimento moral significativo. Esse sofrimento decorre de sentimentos de baixa autoestima e autodepreciação em todos os sentidos. Ela leva o indivíduo a uma perda progressiva do prazer, até chegar à anedonia, e causa a apatia e o desinteresse pelas coisas em geral.</p>



<p>Para o deprimido, o próprio sofrimento torna-se o único interesse de vida, e ele deixa de fazer as coisas por não se importar mais com elas.</p>



<p>Nesse quadro, já com grande dificuldade para resolver as questões do cotidiano e para enfrentar os seus problemas físicos e emocionais, o indivíduo, muitas vezes, desenvolve ideias suicidas. O que ocorre aí não é uma apreciação mórbida da morte, mas a sensação de não ser capaz de suportar tanta dor.</p>



<p>A depressão é insidiosa. Pode começar de forma branda e avolumar-se. É preciso observar bem os sintomas, pois quanto mais cedo houver uma intervenção, maiores as possibilidades de superação do quadro depressivo.</p>



<p>Fique atento aos seguintes sintomas:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>humor deprimido (irritável, em crianças e adolescentes);</li><li>interesse ou prazer acentuadamente diminuídos nas atividades comuns;</li><li>perda ou ganho significativo de peso, ou diminuição ou aumento do apetite;</li><li>insônia ou hipersonia;</li><li>agitação ou retardo psicomotor;</li><li>fadiga ou perda de energia;</li><li>sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada;</li><li>capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, ou indecisão;</li><li>pensamentos de morte recorrentes, ideação suicida recorrente, tentativa de suicídio.</li></ul>



<p>Se você perceber que vem sentindo um conjunto de pelo menos cinco dos sintomas listados, quase todos os dias, e eles estejam causando sofrimento, prejudicando seus relacionamentos ou o seu desempenho profissional, busque ajuda. Fale disso com alguém da sua família, com um amigo ou um conselheiro. De preferência, procure um psicólogo ou um médico de sua confiança, para receber a orientação necessária para o tratamento.</p>
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		<title>De onde vem a depressão?</title>
		<link>https://tvpsi.tv/de-onde-vem-a-depressao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos de Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Jan 2022 22:42:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Costuma-se dizer que a causa da depressão é multifatorial, ou seja, ela é resultado de diversos fatores, condições ou acontecimentos que se conjugam, muitas vezes sem que a pessoa perceba o desequilíbrio emocional que isso ocasiona. Ela deriva de aspectos que vão de questões genéticas a questões de relacionamento e adoecimento mental ou emocional. As [&#8230;]</p>
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]]></description>
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<p>Costuma-se dizer que a causa da depressão é multifatorial, ou seja, ela é resultado de diversos fatores, condições ou acontecimentos que se conjugam, muitas vezes sem que a pessoa perceba o desequilíbrio emocional que isso ocasiona. Ela deriva de aspectos que vão de questões genéticas a questões de relacionamento e adoecimento mental ou emocional.</p>



<p>As questões genéticas envolvem o histórico familiar e condições fisiológicas específicas que contribuem para o aparecimento da condição depressiva.</p>



<p>O histórico familiar pode indicar a natureza genética da doença. Determinados grupos familiares costumam desenvolver a depressão entre alguns dos seus membros, transmitindo a disposição mórbida às gerações posteriores. Com respeito ao aspecto fisiológico, a depressão pode ser causada por condições clínicas como doenças − especialmente as cardiológicas, as neurológicas e as neoplásicas −, disfunções hormonais e problemas psiquiátricos.</p>



<p>Os outros fatores causais são mais de ordem do emocional e do social. Estes parecem constituir a maioria das causas da depressão. Dentre eles, podemos destacar:</p>



<ul class="wp-block-list"><li>Traumas psicológicos</li><li>Abuso na infância</li><li>Sentimentos (ansiedade, culpa, raiva, pessimismo, desesperança, desamparo etc.)</li><li>Baixa autoestima</li><li>Dependência química</li><li>Mortes e outras perdas</li><li>Problemas de relacionamento (afetivo ou familiares)</li><li>Baixa resistência ao estresse</li><li>Baixa resistência à frustração</li><li>Problemas financeiros e de desemprego</li></ul>



<p>Qualquer que seja a causa do transtorno, ocorre uma alteração da química cerebral, que leva à deficiência da ação de determinadas substâncias, os neurotransmissores, como a serotonina, a dopamina, a noradrenalina, entre outros. O objetivo do tratamento, pelo viés psiquiátrico, será a recomposição dos níveis e da distribuição dessas substâncias no trato cerebral por meio de medicamentos.</p>



<p>Já o tratamento psicoterapêutico vai considerar que a maior parte das situações depressivas tem origem na falta de regulação emocional. A regulação emocional é o que a pessoa faz para manter o equilíbrio e o bem-estar, apesar de estar passando por crises, problemas e situações dolorosas.</p>



<p>Quando estão dentro de um quadro assim, as pessoas costumam manter-se com o foco no problema e na aparente impossibilidade de sair dele, ao invés de focar na solução da situação. Nessas situações, é necessário desenvolver um estado de aceitação do processo, não uma aceitação passiva, abandonando-se à dificuldade, mas uma aceitação ativa, visando preservar energia necessária para a busca da solução possível.</p>



<p>Todo o trabalho a ser feito para sair da crise depressiva, seja ele desenvolvido por terapeutas ou pela pessoa afetada pela doença, deve fundamentar-se na aceitação que possibilita a transformação e na noção da transitoriedade e impermanência de todas as condições humanas. Esta é a base para um estado de equilíbrio e regulação emocional. Esta é a base para vencer a depressão, qualquer que seja sua causa.</p>
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		<title>Depressão: o que fazer por você?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos de Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Dec 2021 13:22:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ao iniciar sua terapia, Laura me disse estar sempre muito magoada, pois estava doente e as pessoas não faziam por ela o que deveriam fazer. Com o diagnóstico de depressão, iniciara o tratamento com uma psiquiatra, apesar de detestar tomar remédios. Isso a fazia sentir-se incapaz. Ela imaginava que deveria ter forças para combater os [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao iniciar sua terapia, Laura me disse estar sempre muito magoada, pois estava doente e as pessoas não faziam por ela o que deveriam fazer. Com o diagnóstico de depressão, iniciara o tratamento com uma psiquiatra, apesar de detestar tomar remédios. Isso a fazia sentir-se incapaz. Ela imaginava que deveria ter forças para combater os sintomas dolorosos. Teria essa força, se tivesse a ajuda do marido e dos pais. Mas, essa ajuda não acontecia.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Laura reconheceu que sua mágoa era crônica. Desde a juventude costumava ruminar a respeito de que ninguém percebia suas necessidades. Sempre insegura, queria que os pais definissem caminhos para ela, mas relutava em aceitar as sugestões recebidas. Com baixa autoestima, desqualificava a fala de amigos, por julgar seus “conselhos” superficiais e só serem dados para se livrarem dela rapidamente.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não demorou para o sentimento de não ser importante ─ “Sou ‘desimportante’, sempre fui”, ela dizia ─ e o de rejeição se refletirem em outros aspectos da sua vida, muitas vezes fazendo-a questionar a validade de viver.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; São muitas as razões que levam alguém a desenvolver, desde muito cedo na vida, um sentimento de desvalia. O mais danoso desse processo é a pessoa acolher esse sentimento e colocá-lo como orientador da percepção a respeito de si e da vida. A pessoa não se reconhece menos importante só para o outro, mas, principal e perigosamente, para si mesma. E aí abre as portas para uma infinidade de desconfortos emocionais, os quais pouco a pouco se transformam em doença mental, como os transtornos ansiosos e a depressão.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Infelizmente, não somos educados para a valorização de nós mesmos. Os pais e o sistema educacional costumam focar a avaliação do indivíduo no negativo, no que deve ser corrigido e superado e não nas potencialidades do indivíduo. A frequente indicação de falhas e erros acabam por distorcer a autoimagem e a criar uma dependência do outro, que sempre será o quem definirá o que é certo e o que deve ser feito.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Há muitas maneiras de trabalhar terapeuticamente essa questão. Contudo, o resultado de qualquer intervenção dependerá sempre do quanto a pessoa compreenda a responsabilidade individual sobre o seu próprio processo. Além disso, é importante ver o outro como outra individualidade e não um coadjuvante do seu existir, um “resolvedor” de seus problemas. Resolver os próprios problemas é função de cada um, do que vive o problema, e de ninguém mais. Não que a ajuda o outro não tenha importância. Ela é importante, mas no sentido de dar suporte para o indivíduo assumir a responsabilidade de se conhecer e se transformar. A mudança só é possível se arquitetada pelas próprias mãos.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ninguém muda ninguém. Todos sabemos disso. Mas, toda ajuda é bem-vinda. Nesse processo, quando for o caso, cabe às terapias enfatizar a responsabilidade pessoal, fornecer instrumentos para facilitar o exercício dela, e estimular o resgate da autoestima e o reconhecimento dos valores próprios. A tarefa urgente é &nbsp;abrir os olhos para o autocuidado, para fazer por si o que precise ser feito.</p>



<p>        Laura não levou muito tempo para compreender isso e minimizar seus sintomas depressivos, substituindo a frase “Ninguém faz nada por mim” pela compreensão e interesse em conhecer suas necessidades reais e trabalhar ela mesma no sentido de atendê-las.</p>



<p>Lembre-se disso.</p>



<p>Faça por você exatamente o que gostaria que os outros fizessem por você!</p>
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		<title>De novo, não</title>
		<link>https://tvpsi.tv/de-novo-nao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[José Carlos de Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Dec 2021 20:17:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>De repente, acordo. Abro os olhos e fito o que consigo ver do teto do meu quarto. Está escuro, mas, mesmo na penumbra, percebo que tudo é familiar. Sei onde estou, mas não consigo definir como estou. Uma vaga inquietude começa a me envolver, um desconforto assoma do meu corpo. Uma sensação indefinível constrange minha [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>De repente, acordo. Abro os olhos e fito o que consigo ver do teto do meu quarto. Está escuro, mas, mesmo na penumbra, percebo que tudo é familiar. Sei onde estou, mas não consigo definir como estou. Uma vaga inquietude começa a me envolver, um desconforto assoma do meu corpo. Uma sensação indefinível constrange minha garganta, levemente. Em pouco, sinto as mãos frias e úmidas. Os pés também estão frios, contudo, um calor toma conta do meu rosto e uma fina camada de suor se espalha pela minha testa.</p>



<p>Há algo perigoso acontecendo, imagino. Um ataque cardíaco, a manifestação de um câncer oculto, um acidente vascular cerebral em andamento? Há alguém na casa? Um ladrão? Um fantasma?</p>



<p>Enquanto minha mente racional responde negativamente a essas questões, minhas emoções se atropelam e me confundem. Está se repetindo, penso. De novo, um “ataque” de ansiedade. Não é hora de perguntar a razão dele, até porque não consigo organizar bem os meus pensamentos. Quase instintiva, minha mão alcança o ansiolítico estrategicamente colocado à cabeceira da cama. Sei que é tomá-lo e, em minutos, estarei bem. Bendito remédio!</p>



<p>Situações como essa ocorrem aos milhões todas as noites, ao redor do mundo todo. Uma quantidade espantosa de pessoas são acometidas de estados ansiosos nas noites, quando deveriam estar refazendo suas energias para as tarefas do dia seguinte, quando as ocupações cotidianas de certo modo encobrem alguns dos sintomas mais evidentes sem, no entanto, eliminarem o desconforto da luta que o ansioso trava no seu íntimo.</p>



<p>Dia após dia, a batalha se renova e lança seus tentáculos, oprimindo o bem-estar. Essa situação é naturalmente um conflito que se estabelece com o que nós temos de mais básico: uma estrutura psíquica arquitetada e solidificada, ao longo dos milênios, para a busca e manutenção da sobrevivência e do bem-estar.</p>



<p>A evolução, que deveria nos organizar para ficarmos cada vez melhores (na modernidade, “<em>citius, altius, fortius</em>”), retirou o tigre que nos ameaçava à época em que vivíamos em cavernas e colocou no seu lugar um fantasma pavoroso, sem forma e sem nome, que diuturnamente nos intimida e consome nossa melhor disposição e até nossa alegria de viver.</p>



<p>As psicoterapias, entretanto, ao longo do último século, vêm paulatinamente desenvolvendo uma melhor compreensão desse e de outros processos psíquicos mórbidos e organizando abordagens e técnicas efetivamente capazes de alterá-los e minimizá-los, colocando-os em condição, tamanho e volume adequados às necessidades humanas. Hoje elas se valem especialmente da neurociência, como coadjuvante fundamental. Principalmente em razão do desenvolvimento dessas, pode-se comprovar cientificamente o que de modo empírico se constata nos consultórios.</p>



<p>Nas últimas décadas, observou-se o aparecimento de significativas abordagens psicoterápicas breves, que tratam transtornos diversos, como a ansiedade, trabalhando emoções e sentimentos envolvidos nos mais diversos tipos de crenças limitantes. Dessa práxis resulta melhor discernimento sobre o processo e a aquisição de recursos internos capazes de substituir definitivamente o remédio ao alcance da mão por uma sensação de bem-estar e pela consciência de se ter aperfeiçoado um controle saudável sobre as condições emocionais.</p>



<p>Dentre estas abordagens, destacam-se terapias e técnicas como o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing ou Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares), o TFT (Thought Field Therapy ou Terapia do Campo do Pensamento) e o EFT (Emotional Freedom Techniques ou Técnicas de Libertação Emocional, também chamada de “Acupuntura Psicológica” e Tapping). Todas elas podem trazer resultados de forma muito rápida, o que, muitas vezes, deixa as pessoas incrédulas e tendentes a atribuírem a outros fatores a melhora significava que experimentam quando a elas se submetem, dentro de um processo terapêutico estruturado adequadamente.</p>



<p>O profissional de saúde mental tem, hoje, um conjunto novo de possibilidades para lidar com as questões emocionais de seus clientes, os quais se deparam com alternativas diversas capazes de minimizarem e mesmo eliminarem seus sofrimentos emocionais.</p>



<p>Se situações de ansiedade e depressão nos angustiam, se o medo nos paralisa, se a indecisão nos conturba, se a obsessividade nos desassossega, se a doença física nos abala ou se simplesmente não entendemos nada do que está acontecendo conosco, busquemos os recursos terapêuticos existentes. A vida pode ser melhor.</p>



<p>Lembremos La Rochefoucauld ensinando que “o primeiro dos bens, depois da saúde, é a paz interior”. Mas não se conquista o primeiro sem que se desenvolva o segundo. E as psicoterapias estão aí, para nos ajudarem nesta tarefa inevitável de crescimento pessoal e bem viver.</p>
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