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	<title>George Woyames, MSc (MSSW), Autor em Portal TV PSI</title>
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	<description>Rede Saúde Mental</description>
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		<title>Autossabotagem ou bloqueio de escritor?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[George Woyames, MSc (MSSW)]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Feb 2022 20:05:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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<p>Segundo o budismo,&nbsp; toda a Criação&nbsp; retornará&nbsp; ao Criador, num processo de&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; livre arbítrio proporcionando aos seres humanos&nbsp; em&nbsp; múltiplas reencarnações, até que, espontaneamente, escolhamos regressar à Fonte inicial.&nbsp; &nbsp;Pensava eu haver assimilado estes princípios por volta de meus 50 anos. Hoje, quase aos 80, descobri estar errado. Faltava-me compreender que o retorno-fusão à Eterna Sabedoria, Deus, somente será realizado quando&nbsp; eu aceitar totalmente minha dependência d’Ele, para remover defeitos de caráter e imperfeições.</p>



<p>Recentemente passei por um baque emocional intenso, que me fez contemplar várias coisas, inclusive lances de autossabotagem. Interiormente paralisado, inspiração bloqueada, e incapaz de escrever senão algumas páginas de meu diário, desapontei meus editores e alguns entes queridos. Agradeço-lhes a paciência. Capaz de resolver problemas alheios, veterano na  assistência social, deparei-me com   pensamentos destrutivos,  outrora sepultados em camadas  de  terapia e  participação em grupos de ajuda mútua.</p>



<p>Cérebro esfumado, olvidei temporariamente as regras 2 e 4, aprendidas em programas de 12 passos: “Viemos a acreditar que um Poder superior a nós mesmos poderia devolver-nos à sanidade [e] Decidimos entregar nossa vontade e nossa vida aos cuidados de Deus, na forma em que O concebíamos.”&nbsp; Em minha soberba,&nbsp; também me descuidei da regra nº 5, “Admitimos perante Deus, perante nós mesmos e perante outro ser humano, a natureza exata de nossas falhas”. Dois amigos, agora filhos queridos, levantaram-me o ânimo,&nbsp; quando mais baixo me sentia. Meu filho, ajudando nas atividades diárias. Minha filha,&nbsp; em Portugal , passando-me mensagens lindas e lembrando-me que às vezes nós, humanos, criações do Divino,&nbsp; nos confundimos com o Criador. Enquanto os papéis restem invertidos, a confusão reinará na criatura.&nbsp; E, para uma velhice feliz, aprendi a&nbsp;&nbsp;&nbsp; admitir três coisas a amigos e a estranhos: 1) não sei; 2) tenho medo; 3) preciso de ajuda.&nbsp;&nbsp; Uma noite,&nbsp; sobressaltado, acordei às 2 horas da manhã,&nbsp; nomenclatura exata de meu problema impressa no cérebro em letras de forma:&nbsp; AUTOSSABOTAGEM<strong>, </strong>engenhando a perda de confiança pessoal e o terror de&nbsp; não merecer o privilégio de escrever bons artigos, livros e trechos online, nem de&nbsp; gravar&nbsp; poemas de apoio, alentando noites de amigos durante a pandemia.</p>



<p>Lembrei-me de um provérbio, o favorito de minha mãe: “se a carapuça serve, use.”  Eu estava usando a carapuça da autossabotagem. Por coincidência, meu boné favorito desapareceu num shopping center. Tomei-lhe a  falta  como um sinal de jogar a carapuça fora, correr no batente da vida e da escrita.  Tenho  em meu quarto uma mesa de cabeceira transformada em altar, acima do qual, na parede,  há uma pintura antiga da crucificação de Cristo e os dois ladrões. Contemplando-a, revivi um episódio dos meus oito anos; uma das etapas iniciais da autossabotagem.</p>



<p>Estávamos na praia de Copacabana: meu pai, machista e homofóbico, seu irmão Ludgero e eu. Manhã ensolarada, no fim de semana. O mar bravo batia ondas fortes na areia. Meu pai decidiu que eu deveria aprender a nadar, ali mesmo, obrigando-me aos berros a entrar no mar, embora as&nbsp; ondas me catapultassem&nbsp; várias vezes na areia. Assim ia eu batendo de cabeça, ralando braços e pernas, engolindo toneladas d’agua vomitada. Meu pai gritava:&nbsp; “Seja homem, porra! Levanta! Entra de novo! Vai nadar!&nbsp; Te vira, porra! Homem não chora.&nbsp; Quem chora é ‘viado’…”&nbsp; Temendo a violência, após algumas tentativas desengonçadas, sobrevivi à provação.&nbsp; Meu pai parou os insultos.&nbsp; Não lhe dei o prazer do choro, nem naquele dia, nem nunca. Satisfiz-lhe o machismo. Ocultei-lhe o medo e minha escolha sexual futura.&nbsp; Criança, precisava de sua aprovação e a da sociedade em geral.&nbsp; Anos a fio, batalhei sentimentos de mediocridade imposta pelo incidente.&nbsp; Não brilhei&nbsp; nos estudos como adolescente, ou jovem universitário em Faculdade de Jornalismo. Mas tive a grande sorte de encontrar amigos e mentores, no Brasil e no exterior.&nbsp;&nbsp; Adulto, pus um continente entre mim, meu pai e os preconceitos homofóbicos que levaram ao suicídio companheiros amados. Deixei de pagar mensalidades ao clube de aceitação filial, adquirindo finalmente autoestima. Aos&nbsp; 43 anos&nbsp; aprendi&nbsp; a nadar na Associação Cristã de Moços, em San Francisco,&nbsp; com professores de natação&nbsp; especializados no&nbsp; ensino de indivíduos com histórico de traumas aquáticos.</p>



<p>Por meio da psicoterapia e dos  Emocionais Anônimos (um programa baseado nos de 12 passos dos Alcoólicos Anônimos), aprendi a ver a recuperação − seja do alcoolismo ou das emoções −, como a jornada do motorista de primeira  viagem, perdido na estrada,  suplicando a Deus  um  grande  círculo de retorno  ao ponto de partida. Com o tempo ele conhecerá melhor a estrada, necessitando infrequentes e menores círculos de retorno.  E o mesmo Deus Criador, Grande Poder Universal  que permitiu ao motorista  aprender a conduzir, fornecendo-lhe o carro e o caminho, seguramente o acolherá no fim da viajem.</p>
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		<title>Procrastinação: Oportunidades à Saúde Mental</title>
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		<dc:creator><![CDATA[George Woyames, MSc (MSSW)]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Dec 2021 13:30:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conhecida de muitos anos, minha amiga procrastinação volta e meia me visita, buscando hospedagem permanente. Refestelada em meu quarto, entre bugigangas mis acumuladas ao léu dos momentos de preguiça depressiva, ou em meu escritório, refletida nos os papeis desarranjados e livros ignorados, cujo conteúdo não me lembro, a hóspede-carrapato resiste em partir. Por anos, aceitei [&#8230;]</p>
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<p>Conhecida de muitos anos, minha amiga procrastinação volta e meia me visita, buscando hospedagem permanente. </p>



<p>Refestelada em meu quarto, entre bugigangas mis acumuladas ao léu dos momentos de preguiça depressiva, ou em meu escritório, refletida nos os papeis desarranjados e livros ignorados, cujo conteúdo não me lembro, a hóspede-carrapato resiste em partir. Por anos, aceitei sua companhia sedutora e a de seus familiares: preguiça, desorganização, e baixa-estima, frutos da arvore do medo. Reconheço que expulsá-la do meu ambiente é tarefa contínua, exigindo vigilância e autodeterminação.</p>



<p>Eliminar ou reduzir estados depressivos condizentes à procrastinação estimula a saúde mental. E, para idosos como eu, o alívio de vê-la sair, gradualmente&#8230;</p>



<p>É um antidoto contra a deficiência cognitiva leve. O processo é por vezes brutal. Primeiro, devo reconhecer minha responsabilidade por deixá-la entrar em minha casa, e aceitar as perdas, dando-lhe guarida. </p>



<p>Embora trafegando no presente, permaneci no passado, falso Nirvana do que poderia ter sido, temendo os desafios do presente. Revivi naqueles objetos engavetados as aspirações de planos não realizados. Trastes, papéis, correspondência, livros e roupas usadas ocupam espaço em armários e estantes. Receios, baixa estima e estados depressivos, por outro lado, se enraízam na mente. Preciso que saiam para que entre a luz. </p>



<p>Meditação e visualização, elementos de mindfulness, e orações me ajudam a libertar-me  de culpas pela bagunça reinante. Reconheci muitas vezes ter adiado as despedidas. Sem pressa, ou no afã de terminar o trabalho em rompantes, permiti-me dividir as tarefas em partes. Primeiro, desocupando a mesa de cabeceira, sede de meu altar. Nos dias seguintes, outras gavetas, dando-me tempo de agradecer a cada item desfeito as memorias, boas e más. </p>



<p>Combati a tentação de ceder ao apego, temendo o adeus. Apoio de outros amigos aposentados, entre os quais procrastinadores, foi essencial. Todos admitimos haver tido problemas de concentração, esquecimentos e procrastinação, mesmo durante os anos na ativa. Uns, compartilhando pela primeira vez historias de depressão e baixa autoestima, recordaram colegas cujo suicídio causou surpresa, pois eram considerados “clinically clear” (clinicamente esclarecidos). Fizemos um grupo de ajuda mútua contra a procrastinação. </p>



<p>Organizações de fins não lucrativos ou entidades religiosas distribuem os descartáveis à terceiros, para reuso. Esperamos reduzir, ou eliminar a procrastinação, diminuindo nossos pertences em seis meses. </p>



<p>Felicidades àqueles trilhando a mesma rota. Feliz 2022.</p>
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		<title>Cura de Alzheimer, uma possibilidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[George Woyames, MSc (MSSW)]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Dec 2021 21:16:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 55 milhões de pessoas sofrem de demência, doença causada por várias enfermidades e fatores que, direta ou indiretamente, afetam o cérebro. Segundo a OMS, Alzheimer é a forma mais comum de demência, correspondendo de 60 a 70 por cento dos casos. Nos Estados Unidos, estima-se que [&#8230;]</p>
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<p>Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais de 55 milhões de pessoas sofrem de demência, doença causada por várias enfermidades e fatores que, direta ou indiretamente, afetam o cérebro. Segundo a OMS, Alzheimer é a forma mais comum de demência, correspondendo de 60 a 70 por cento dos casos. Nos Estados Unidos, estima-se que pelo menos 45 milhões de pessoas terão alguma forma de demência.</p>



<p>Ainda que Alzheimer seja considerada uma doença incurável por vários  professionais de saúde, psicoterapeutas, e pelo público leigo em geral, agora podemos vislumbrar o  tratamento, de acordo com o Professor Dale Bredesen, médico norte-americano especializado em doenças neurodegenerativas e autor do livro recentemente publicado  “ The First Survivors of Alzheimer’s, How Patients Recovered Life and Hope in Their Own Words” (Primeiros Sobreviventes de Alzheimer: em suas Próprias Palavras, Como Pacientes Recuperaram a Vida e a Esperança), uma coletânea de testemunhos de pessoas previamente diagnosticadas com Alzheimer, que  experimentaram melhoras extraordinárias.</p>



<p>Fundador do <em>Buck Institute for Researching on Aging</em> (Instituto Buck de Pesquisa em Envelhecimento), em Novato, Califórnia, o Professor Bredesen por mais de 30 anos estuda as relações entre a velhice, suas doenças degenerativas e possíveis tratamentos. No livro, ele argumenta que, fundamentalmente, o “corpo e alma” de Alzheimer é a insuficiência crônica da rede da neuroplasticidade, uma rede cerebral maleável   às mudanças na capacidade do cérebro de aprender e memorizar, através de monitoramento adequado.   </p>



<p>Reportando haverem recuperado faculdades mentais e físicas<strong>,</strong> pacientes do Professor Bredesen descrevem mudanças introduzidas em suas maneiras de viver, apoiados por médicos e outros professionais de saúde e <em>coaches</em>, além de meditações, exercícios e mudanças<strong> </strong>totais de alimentação.  O Professor Bredesen tem publicado extensivamente sobre o declínio da capacidade cognitiva desde 2014, incluindo “O<em> fim do Alzheimer – guia prático:  o passoapasso para estimular a cognição e reverter seu declínio” </em>(2021). Ler os testemunhos de pacientes reconquistando   capacidades outrora consideradas extintas – tais como tocar piano, conduzir reuniões de equipe, gerenciar negócios, lidar com o<strong> </strong>entrosamento no ambiente familiar– é   leitura emocionante.   Em capítulo intitulado “A Revolução Não Será Televisada (ou Reembolsada)”<strong> </strong>o<strong> </strong>Dr. Bredesen ressalta que<strong>,</strong> em medicina, existe um espaço crescente entre verdade e aceitação, em detrimento de nossa saúde em geral. Segundo ele, naquele espaço trafegam interesses financeiros, políticos, e outras influências opostas<strong> </strong>a métodos de tratamento não ortodoxos. Bredesen argumenta que se nos focássemos nos resultados obtidos pelos pacientes, em vez de ficarmos apegados a<strong> </strong>relatórios  de pesquisas ultrapassadas, lucros sobre remédios, ou preços de ações das empresas  de saúde,  mudanças monumentais  ocorreriam nos tratamentos de doenças crônicas agora temidas – reduzindo-as<strong> </strong>a casos raros, preveníeis e gerenciáveis<strong>; </strong>seja em doenças degenerativas, males inflamatórios e psiquiátricos, seja em doenças do sistema autoimune.</p>



<p>Alzheimer e Aids levaram-me alguns amigos, parceiros. Na velhice, admito que a demência cognitiva leve, ou outra de suas formas, poderá me bater às portas. No apogeu da doença de AIDS, em San Francisco, vi entes amados sucumbirem à doença. Hoje, 40 anos depois do aparecimento do HIV, profilaxias pós (PPE) e pré (PrEP) exposição ao vírus mantêm saudáveis sobreviventes e novos pacientes. Minha neuro-psicoterapeuta, uma admiradora dos protocolos Bredesen, apresentou-me o conceito da neuroplasticidade cerebral, incluindo mindfulness, com excelentes resultados.  Através do mindfulness, aprendi a visualizar a neuroplasticidade de meu cérebro como galhos frondosos d’uma árvore antiga cujo tronco abriga milhares de informacoes, algumas das quais dormentes, todavia accessíveis. Se eu alimentar o tronco constantemente, com bons pensamentos; sono e nutrição adequada; meditações; exercícios; escritas e leituras, minha velha árvore produzirá folhas novas, verdinhas e banhadas de sol.</p>



<p>Em meu cérebro, algumas células morrem, outras se regeneram.  Lá, num ponto qualquer do cérebro, a neuroplasticidade – representada pelos galhos frondosos e as folhas novas – abrem-se atalhos entre os conhecimentos antigos e outros que eu queira aprender. Sejam novas línguas, música, ou o que me nutra a mente e o espírito.  Assim como o tratamento do HIV hoje é reembolsável por companhias de seguro e sistemas de saúde nacionais, espero que o mesmo aconteça com os protocolos homologados pelo Professor Dale Bredesen, um herói da medicina.</p>



<p>Ref: Dale E. Bredesen, Md, “First Survivals of Azlheimer’s, How Patients Recovered Life an Hope in Their Own Words.” Avery, New York 2021.</p>



<p>“Bredesen Protocol, The Science of Reversing Cognitive Decline Through PreCODE and ReCODE,” Apollo Health,  California, 2021.</p>
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