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	<title>Cyro Portocarrero, Autor em Portal TV PSI</title>
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	<description>Rede Saúde Mental</description>
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	<title>Cyro Portocarrero, Autor em Portal TV PSI</title>
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		<title>Durante o sexo, onde você está?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cyro Portocarrero]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 21 Feb 2025 02:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mentes divagantes tornam as pessoas infelizes Esta foi a conclusão de um, dentre muitos estudos (1) que, desde o início da década passada, vêm alertando a sociedade para o crescente fenômeno que desde então se instala, de forma generalizada, nos mais diversos segmentos populacionais do Planeta. Segundo tal estudo, gastamos quase metade do nosso tempo [&#8230;]</p>
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<p><strong>Mentes divagantes tornam as pessoas infelizes</strong></p>



<p>Esta foi a conclusão de um, dentre muitos estudos (1) que, desde o início da década passada, vêm alertando a sociedade para o crescente fenômeno que desde então se instala, de forma generalizada, nos mais diversos segmentos populacionais do Planeta.</p>



<p>Segundo tal estudo, gastamos quase metade do nosso tempo (46,9%) imaginando que gostaríamos de estar em algum outro lugar ou fazendo alguma outra coisa. Os resultados demonstram que só 4,6% da felicidade das pessoas em determinado momento é atribuível à atividade específica por ela desenvolvida naquele momento.</p>



<p>Seus autores afirmam que a dispersão, “ é uma conquista cognitiva, mas tem um custo emocional”, custo este que hoje constatamos ser muito mais elevado do que aparentava ser. Com o passar do tempo, nossa mente divaga cada vez mais…</p>



<p><strong>Excesso de estímulos contribui para a diminuição de libido e provoca a sensação de que é preciso cumprir metas no desempenho sexual.</strong></p>



<p>No cenário de hiperconectividade em que vivemos, hoje agravado pelas circunstâncias da pandemia, a exposição exagerada aos meios eletrônicos e as estressantes exigências do teletrabalho sequestram-nos o tempo livre que antes nos propiciava momentos de intimidade.</p>



<p>A relação promíscua entre a realidade e o mundo virtual, assim como o rompimento de limites entre a vida doméstica e as atividades laborais, faz avultar a percepção equivocada de o sexo satisfatório só é validado quando atinge a “meta” do orgasmo, desprezando-se o prazer pelo processo e priorizando-se os “objetivos”. Assim, o foco no mais das vezes se desloca para o resultado, em detrimento do momento presente.</p>



<p><strong>Nos últimos tempos, o desejo sexual espontâneo tem diminuído e os distúrbios nesta área têm aumentado acentuadamente</strong></p>


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<figure class="aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/2-1024x683.jpeg" alt="" class="wp-image-29416" style="width:519px;height:339px" srcset="https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/2-1024x683.jpeg 1024w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/2-300x200.jpeg 300w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/2-768x512.jpeg 768w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/2-1536x1024.jpeg 1536w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/2-2048x1365.jpeg 2048w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/2-150x100.jpeg 150w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/2-696x464.jpeg 696w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/2-1068x712.jpeg 1068w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/2-1920x1280.jpeg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure></div>


<p>De acordo com as estatísticas atualmente disponíveis, no âmbito da pesquisa nacional de atitudes e estilos de vida sexuais — que vem sendo realizada com adultos entre 16 e 74 anos, no Reino Unido, ao longo dos últimos trinta anos (2) —, em 1990 os casais de 16 a 64 anos faziam sexo cinco vezes por mês, média que diminuiu para quatro vezes por mês em 2000, e três em 2010. Em 20 anos, a frequência caiu 40%. &nbsp;Embora ainda não tenhamos os índices referentes á última década, os especialistas não creem que atualmente as evidências apontem para números mais animadores, conforme indicam alguns estudos mais recentes (3).</p>



<p>No Brasil, por exemplo, 45% dos internautas pesquisados reduziram o número de relações sexuais durante a pandemia (4).</p>



<p>Por outro lado, o imediatismo trazido pelas respostas rápidas na internet e pelos avanços da computação cognitiva, aliado a transtornos de ansiedade e a fatores de estresse da vida cotidiana, tem proporcionado significativo agravamento de uma série de psicopatologias, somatizações e comorbidades.</p>



<p>Dentre estas, ressaltam perturbações, associadas a anorgasmia (ausência de orgasmo), dispareunia (dor com a penetração) e dificuldades de excitação, nas mulheres; bem como disfunção erétil e ejaculação precoce, nos homens.</p>



<p>Estima-se que quase metade dos portugueses tenha problemas sexuais (5). No Brasil, o quadro é muito semelhante: pesquisa publicada pelo Datafolha, em julho de 2021 a pedido da startup Omens, com 1.813 brasileiros de 18 a 70 anos, mostrou que 38% dos participantes tiveram “algum tipo de disfunção erétil nos últimos anos”.</p>



<p><strong>Como o mindfulness pode ajudar para alcançar orgasmo, autoestima, bem-estar, harmonia e satisfação sexual de casais</strong>?</p>



<p>Em palestra assistida por quase um milhão de espectadores (6), a escritora norte-americana Diana Richardson referiu-se a “mindfilled sex” (sexo com a cabeça cheia) para descrever a forma como normalmente fazemos sexo. Ela propõe o seguinte: “E se utilizarmos a cabeça, para estarmos presentes, com consciência do corpo, e não perdidos em nossos pensamentos? … Se voltássemos nossa atenção, como na meditação, para dentro do corpo? Ela argumenta que assim usaríamos “o corpo inteiro como um órgão sensitivo”. E sugere ser esta uma solução, para os casos de disfunção, ejaculação precoce ou dispareunia, “centrar-se no jogo, no prazer, tirando os aspectos que significam ameaça”.</p>



<p>Das centenas de estudos científicos que são mensalmente divulgados a respeito da comprovação de eficácia na prática de mindfulness, cabe destacar a recente pesquisa desenvolvida pela equipe liderada por Chelom Leavitt, PhD, publicada em agosto de 2021, cujos resultados demonstram que “a atenção plena sexual pode fornecer um recurso valioso para casais que estão trabalhando para melhorar sua conexão e significado em seus relacionamentos românticos e sexuais” (7).</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="954" height="324" src="https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/3-1.jpeg" alt="" class="wp-image-29419" srcset="https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/3-1.jpeg 954w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/3-1-300x102.jpeg 300w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/3-1-768x261.jpeg 768w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/3-1-150x51.jpeg 150w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2022/01/3-1-696x236.jpeg 696w" sizes="(max-width: 954px) 100vw, 954px" /></figure>



<p>Não é novidade.</p>



<p>De origem budista, a prática de mindfulness vêm sendo utilizada cientificamente no Ocidente, desde 1979, para tratar transtornos psicológicos — como ansiedade, bulimia, depressão, dependência química — e doenças físicas, principalmente no enfrentamento da dor e de todos os males influenciadas pelo estresse, desde a hipertensão, ao cancro.</p>



<p>Nas palavras de seu precursor, Jon Kabat-Zinn, “Mindfulness, aumenta a atenção, a concentração e a produtividade, diminuindo o estresse. A prática consiste em se concentrar na respiração, na sensação corporal, observando quando a mente começa a divagar, e tentar redirecionar a atenção às sensações”.</p>



<p>Também fortalece do nosso sistema imunológico, ajuda a dormirmos melhor e diminui a produção de cortisol (hormônio que favorece o estresse). Além disso, eleva nossa capacidade de aprendizado e aumenta os níveis de compaixão e empatia.</p>



<p>O psiquiatra e cientista Javier García Campayo afirma já haver “vários estudos que demonstram que pessoas que praticam&nbsp;mindfulness, em comparação com as pessoas que não o fazem, têm relações sexuais mais satisfatórias em geral e com um nível de desfrute maior”. Diz que estes praticantes padecem menos de alguns dos problemas acima mencionados, como impotência, diminuição do desejo sexual, anorgasmia e ejaculação precoce, para além, claro, da higidez cardiovascular, entre os inúmeros outros benefícios já comentados.</p>



<p>Parece, portanto, que a atenção plena, a consciência, a aceitação e o não julgamento podem ser uma ferramenta importante para ajudar a manter o bem-estar relacional e sexual.&nbsp;</p>



<p>Sua prática continuada contribui para o crescimento pessoal; para o compartilhamento de objetivos dentro do relacionamento; para a harmonia, integração e complementaridade quanto à sexualidade do(a) parceiro(a), em prol de estimular e prolongar um erotismo mais consciente e um relacionamento mais intencional e duradouro, significativamente integrado aos demais aspectos da vida.</p>



<p><strong>É possível treinar a mente para viver a experiência sexual de forma intensa</strong></p>



<p>Graças à plasticidade neuronal, podemos exercitar nosso cérebro, facilitando as sinapses que nos convêm, tal como podemos exercitar os músculos do nosso corpo.</p>



<p>Trata-se de explorar um fenômeno natural que consiste no desenvolvimento de novos neurônios, interações e impulsos, em resposta a práticas repetidas.</p>



<p>No momento do prazer, entregue-se, desacelere, sem crítica nem julgamento. Concentre-se na respiração; foque no toque; sinta e entre em sintonia com o corpo do(a) parceiro(a); perceba o ambiente, os aromas, o tato, o aqui e o agora da relação…</p>



<p>A prática habitual da atenção plena, ao fazer amor, propicia um nível cada vez maior de intimidade e de sintonia entre o casal, independente da identidade de gênero ou da orientação sexual dos praticantes.</p>



<p>Trata-se, simplesmente, de usar todos os recursos para canalizar gentilmente as energias; para entrar em contato com os sentimentos mais profundos e as emoções mais verdadeiras. Com aceitação, curiosidade e dedicação exclusiva ao momento presente.</p>



<p>REFERÊNCIAS:</p>



<p>(1) Matthew Killingsworth e Daniel Gilbert, Universidade Harvard, revista&nbsp;<em>Science</em>, novembro de 2010</p>



<p>(2) David Spiegelhalter, Universidade de Cambridge, National Surveys of Sexual Attitudes and Lifestyles, UK – 2012.</p>



<p>(3) <em>The Journal of Sexual Medicine&nbsp;&#8211;&nbsp;Declining Sexual Activity and Desire in Men – Findings from Representative German Surveys, 2005 and 2016.</em></p>



<p>(4) Instituto Datafolha &#8211; UOL, 23/11/2021.</p>



<p>(5) Pedro Nobre, Ana Gomes e Manuela Peixoto, Sexlab, Universidade do Porto, Jornal O Público / Saúde &#8211; 4 de setembro de 2018.</p>



<p>(6) Diana Richardson &#8211; The Power of Mindful Sex, YouTube – TEDx, abril de 2020.</p>



<p>(7) Leavitt, C.E., Maurer, T.F., Clyde, T.L.&nbsp;<em>et al.</em>&nbsp;Linking Sexual Mindfulness to Mixed-Sex Couples’ Relational Flourishing, Sexual Harmony, and Orgasm.&nbsp;<em>Archives of Sexual Behavior</em>&nbsp;(2021).</p>
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		<title>Por onde anda a memória de nossas memórias?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Cyro Portocarrero]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Feb 2023 02:34:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Está comprovado que existe um local físico onde processamos a linguagem, a  visão ou o movimento. Contudo, diferentemente da maioria de nossas sensações cuja percepção, de modo geral, costuma ocorrer a partir do estímulo de uma área específica do cérebro, a memória é um padrão de atividade neural que normalmente envolve múltiplos circuitos, numa complexa [&#8230;]</p>
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<p>Está comprovado que existe um local físico onde processamos a linguagem, a  visão ou o movimento.</p>



<p>Contudo, diferentemente da maioria de nossas sensações cuja percepção, de modo geral, costuma ocorrer a partir do estímulo de uma área específica do cérebro, a memória é um padrão de atividade neural que normalmente envolve múltiplos circuitos, numa complexa interação de associações díspares em nossa atividade cerebral.</p>



<p>Isto porque o registro de nossas lembranças não se assemelha, nem de longe, às gravações de uma câmera de vídeo que, de forma mecânica, capta fluxos de sons e imagens lineares e constantes.</p>



<p>Certo é que, no mundo real, o armazenamento e a fidelidade das nossas recordações guardam relação direta com as emoções a elas vinculadas.</p>



<p>E o grau de importância que atribuímos a tais recordações obedece a uma dinâmica própria e subjetiva, de acordo com o momento e as circunstâncias vividas, o que faz com que as arquivemos numa escala de acesso mais ou menos remoto, conforme a necessidade.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" src="https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/dreamstime_xxl_109908262-2-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-29696" srcset="https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/dreamstime_xxl_109908262-2-1024x683.jpg 1024w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/dreamstime_xxl_109908262-2-300x200.jpg 300w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/dreamstime_xxl_109908262-2-768x512.jpg 768w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/dreamstime_xxl_109908262-2-1536x1024.jpg 1536w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/dreamstime_xxl_109908262-2-2048x1365.jpg 2048w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/dreamstime_xxl_109908262-2-150x100.jpg 150w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/dreamstime_xxl_109908262-2-696x464.jpg 696w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/dreamstime_xxl_109908262-2-1068x712.jpg 1068w, https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/dreamstime_xxl_109908262-2-1920x1280.jpg 1920w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption>©&nbsp;<a href="https://www.dreamstime.com/creativecommonsstockphotos_info">creativecommonsstockphotos</a></figcaption></figure>



<p>No nível fisiológico, podemos considerer o hipocampo (importante componente do sistema límbico que é, por sua vez, responsável pelas emoções e comportamentos) como o &#8220;universo contextual&#8221; em que se desenrolam os eventos associados a nossa memória.</p>



<p>Aí se conectam os sons, as imagens, os cheiros&#8230;</p>



<p>Segundo a neurocientista norte-americana Lisa Gênova, em seu sugestivo livro Memória &#8211; A Ciência da Lembrança e a Arte do Esquecimento, &#8220;Nossos cérebros humanos são fenomenais&nbsp; em lembrar o que é significativo,&nbsp; emocional, surpreendente ou novo&nbsp; e o que é repetido. Eles são muito ruins em lembrar o que é o mesmo, o igual&#8230; o que não é&nbsp; emocional, não é repetido. Nossos cérebros também são ótimos&nbsp; para lembrar coisas&nbsp; que são visuais e onde&nbsp; essas coisas estão no espaço. Evolutivamente, foi muito&nbsp; importante para a nossa sobrevivência&nbsp; lembrarmos onde&nbsp; está a comida, onde está a segurança,&nbsp; onde vivem os predadores&#8221;.</p>



<p>Quanto ao &#8220;universo contextual&#8221; a que me referi acima e as formas como se definem seus multifacetados limites, a Dra. Lisa exemplifica da seguinte forma: &#8220;&#8230;se estou pensando na visão&nbsp; e no som do Mickey Mouse,&nbsp; terei neurônios na parte de trás da minha cabeça,&nbsp; esse é meu córtex occipital,&nbsp; meu córtex visual será ativado. Esses representam a&nbsp; aparência do Mickey Mouse. Mas o som do Mickey Mouse&nbsp; está localizado em outro lugar. Isso está no meu&nbsp; córtex auditivo, perto dos meus ouvidos. E assim o circuito, a memória envolverá a ativação&nbsp; de neurônios nesses lugares muito diferentes&#8221;.</p>



<p>Porém, a despeito de onde armazenamos nossas lembranças, importa saber se elas duram, o quanto duram e o quanto íntegras se mantêm.</p>



<p>Aí depende muito de muita coisa.</p>



<p>Algumas memórias são construídas para durar apenas alguns segundos; outras para durar uma vida inteira.</p>



<figure class="wp-block-image size-full is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://tvpsi.tv/wp-content/uploads/2023/02/Mamoria-2.png" alt="" class="wp-image-29698" width="740" height="476"/><figcaption>© iStock / Getty Images</figcaption></figure>



<p>A ciência classifica a memória em pelo menos três categorias: a primeira e mais precisa delas é conhecida como memória semântica. Esta compõe-se pelo tipo de lembrança das coisas que a gente aprendeu na escola, como&nbsp; dados históricos e contas de tabuada. Nesta categoria incluem-se também nossas informações biográficas (onde e quando nascemos, quem são nossos pais e avós; nosso endereço, número de telefone etc.). A memória semântica é também a que tem mais estabilidade. Num indivíduo saudável,&nbsp; ela raramente falha.</p>



<p>A segunda categoria,&nbsp; igualmente estável e de longo prazo, é chamada de memória muscular. Ela se localiza principalmente no córtex motor e essencialmente depende dos nossos músculos. É o caso, por exemplo, de escovarmos os dentes, ou andarmos de bicicleta. A gente nunca se esquece destas coisas. É uma espécie de memória coreográfica, baseada na sequência de movimentos. Trata-se de lembrar dos procedimentos e da ordem em que são executados. É uma lógica que normalmente resiste ao tempo. Mesmo se ficarmos por muitas décadas sem fazer essas coisas, a lembrança não se apaga.</p>



<p>Por fim, a terceira categoria, rotulada como memória episódica, já não é tão confiável. Refere-se às coisas que nos aconteceram, sem maiores emoções envolvidas, e das quais realmente quase nada retemos além do essencial. O mais interessante (e o que mais acontece) neste tipo de lembrança é a nossa capacidade &#8212; consciente ou não&nbsp; &#8212; de modificar o registro cada vez que o acessamos. Isto é, toda vez que nos lembramos, podemos acrescentar ou suprimir algum detalhe e assumirmos como verdadeira esta nova versão. Vai daí ela não ser tão confiável&#8230;</p>



<p>Por razões diversas que só cada um de nós intimamente explica (ou não), acabamos por &#8220;inventar&#8221; memórias, adornando inconscientemente as nossas lembranças, aperfeiçoando a nossa história,&nbsp; de modo a propiciar que ela faça mais sentido para nós.</p>



<p>Isto ocorre de forma similar ao processo de edição de um arquivo do Word no qual, quando se salvam as alterações, a nova versão automaticamente substitui a antiga.</p>



<p>Assim, é incrivelmente possível que, toda vez que temos &nbsp;acesso a uma memória episódica, possamos nos afastar cada vez mais do que aconteceu de fato.</p>



<p>Verdade? Mentira? Ilusão? Manipulação? Sei lá!</p>



<p>O fato é que nossa mente abriga mistérios ainda insondáveis e quanto mais a estudamos percebemos haver muito mais a estudar.</p>



<p>Resta ainda descobrir o papel dessas recordações &#8220;recicladas&#8221; e seu impacto sobre as narrativas que criamos.</p>



<p>Será que precisamos sempre&nbsp;retroalimentar nosso sistema de crenças, recriando as verdades em que nos baseamos para explicar as diversas versões da nossa realidade?</p>



<p>Eis outra vez a ciência na incessante busca da fabulosa e infinita consciência de que somos dotados.</p>
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